Cinco coisas que 2015 me ensinou

Ir lá e fazer

Aprendi a concretizar alguns dos meus sonhos sem esperar que eles estivessem perfeitos ou sem esperar que eu mesma me sabotasse. Ou que outros me fizessem desacreditar que eu podia realizá-los.

Trabalhar voluntariamente

Era um dos sonhos antigos e foi devidamente realizado, mas quem disse que eu sabia o que estava por vir? Percebi que experiência se ganha, mas a motivação é alimentada pelo sentido que damos às coisas. Dividir seu tempo com crianças que tem poucas oportunidades de vida é na verdade ganhar seu tempo e aprender um bocado com elas. E dinheiro não é a única troca por um trabalho. Lá recebi amor, lanchinhos, aulas espontâneas de idiomas e muitos abraços e sorrisos. Além de ter aumentado a minha visão de mundo. Sabe quando você big picturiza as coisas, que nem diz a Jout Jout? Pronto. O trabalho voluntário deu um tapa na minha cara. E foi merecido.

Viver com pouco e desapegar

Foram cinco viagens no ano (Argentina, São Paulo e três vezes Chile), com dinheiro limitado, sem chance para cartões de crédito de emergência e pouco peso nas costas porque tenha a decência de poder carregar o que você leva. Dá pra viver com poucos sapatos, poucos livros, roupas coringa e comida moderada sim, a gente é que se acostuma a criar tralha (continuo sendo alguém que adora colecionar coisas, mas aprendi que não deixo de ser quem sou nem morro se precisar me desfazer disso).

Sentir saudade

Estar longe de casa tem os seus percalços e não é pra todo mundo. Sobretudo em momentos importantes como datas de aniversário das gatinhas mais lindas do universo, minhas irmãs. Estive ausente, mas com criatividade tentei mandar um tantinho de amor.

Com Geórgia a lembrancinha foi fazer um vídeo de feliz aniversário com meus recentes amigos estrangeiros (época do voluntariado), junto com uns textos meus no facebook dela. Foi impagável ouvir os idiomas da alemã, do rapaz da Coreia do Sul e do turco, além é claro dos brasileiros com seus sotaques diferentes do nosso nordestino (com muito orgulho).

Com Guid a ideia que surgiu foi invadir o Whatsapp dela com mensagens cheias de amor dos meus amigos (combinei previamente), inclusive de gente que ela nem conhecia! Imagina suas notificações dispararem loucamente? Foi engraçado.

Aprender espanhol

Como já contei um pouco aqui, meu processo para aprender a língua foi uma mescla tradicional, com direito a dois cursos de curta duração, e random, na garra e na vivência.

Em ordem cronológica foi assim: fiquei 24 anos sem contato com o idioma, sobretudo na escola (escolhi sempre o inglês), porque eu achava brega e pelo visto era uma preconceituosa e otária, HAHA. Aí no início de 2015 queria ter ido à Europa fazer o trabalho voluntário, mas não tinha condições financeiras pra pagar aquelas passagens de pelo menos quatro mil reais. Decidi Argentina pelo custo e foi quando comecei minhas aulinhas obrigatórias com a vida: no Hostel os primos (donos carinhosamente chamados assim) não falavam inglês. As mais de 50 crianças que cuidávamos por dia obviamente falavam apenas espanhol e os responsáveis pela ONG, adivinha? Isso mesmo. Foram cinco semanas de férias no trabalho do Brasil e trampando e aprendendo espanhol na Argentina, por osmose e necessidade.

Daí após esse primeiro contato eu não quis mais parar de aprender. E nem tive a opção de não continuar, porque o crush era chileno e a gente grudou pior do que chiclete: Whatsapp virou aplicativo de estudos diários! Então na metade do ano fui ao Chile e fiz um curso de um mês com dois professores na Escola Newen. Gastei umas dilmas, mas ao menos tive hospedagem gratuita. E quando voltei ao Brasil soube de um curso ótimo e bem em conta: o semestre inteiro ficava por R$ 200! Fiz uma provinha escrita e oral e pulei para o quinto estágio (o curso tinha seis módulos), já o de conversação. E aí vi como tinha aprendido nos últimos meses.

Bônus

Aprendi que nada é impossível, mesmo o que parece bem difícil de acontecer.

E hasta ahora voltei a acreditar no amor entre duas pessoinhas.

DSC_0555 (2)

#Essa é a Abril. Não canso dessa foto e da sensação de ter de novo essa criança incrível nos meus braços, dormindo e se sentindo tranquila e amada, depois de um dia cheio de brincadeiras, jogos, desenhos e comidinhas gostosas.#

Post scriptum: Eu sei que para os parâmetros do nosso calendário estou bem atrasada, mas indico muito recapitular o ano, nem que seja numa folhinha de papel. É bom saber que você é capaz de fazer coisas. É respeitoso com você mesma. Também é fundamental não ser extremamente exigente e celebrar os momentos vitoriosos, viu? Recomendo.

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9 comentários Adicione o seu

  1. K. disse:

    Amei esse post, eu tô pensando em fazer o de resoluções pra 2016 agora quase em fevereiro, então acho super normal você postar isso agora, HAHAHAHA. Ir lá e fazer acho que é o começo de todas essas coisas que listou. As vezes a gente fica se sabotando enquanto procrastina ou espera o momento perfeitos pras coisas acontecerem, e o momento acaba passando, ou a vontade e enfim. Nem sei quantas coisas já perdi por isso.

    Curtido por 2 pessoas

    1. Tamo junta. Sei bem esse sentimento e é algo que eu tenho que lutar arduamente pra não atrapalhar minhas vontades. Outro probleminha que tenho é querer abraçar mil projetos e fazer mil coisas. Multitasking não dá certo, né? Mas enfim, é apanhando e aprendendo (ou não). HAHA. Brigada por vir! ❤

      Curtido por 1 pessoa

  2. Eu aprendi demais em 2015 também! E algumas das minhas metas para 2016 são as suas lições de 2015, hahah. Fazer trabalho voluntário é um sonho que tenho. Acho que o aprendizado deste tipo de experiência te muda e transforma pra sempre, né? Uma vez eu cheguei a fazer… ensinava crianças que tinham dificuldades a ler e escrever. Me sentia feliz toda vez que eles conseguiam evoluir um pouquinho que fosse. E sobre o espanhol eu confesso que também tenho uma coisa no meu coração que diz que o inglês é melhor e mais fácil hahaha, acho que só experiências como a sua para mudar isso! Beijo!!! ❤

    Curtido por 3 pessoas

    1. Hahaha, ai gente! É que somos bombardeadas por informações em inglês e coisas do tipo. Tudo funciona em inglês: filme, música, seriado. São as produções que chegam e a gente abraça de peito aberto só porque elas são mais fortes na mídia. Então às vezes a gente gosta mais de algo só porque nos fizeram gostar, sabe? Enfim, eu viajo nisso porque sei que somos também produto do ambiente. E sim, mudei minha perspectiva sobre o idioma, mas também depois de escutar um monte de criancinha fofa falando você não tem mais coragem de não gostar. Mas você tocou num ponto sensível: inglês é mais fácil do ponto de vista gramatical, realmente. Mas agora eu falo mais espanhol que inglês. Dá pra acreditar? :/ E sim, faz mais algum trabalho, faz, faz! ❤ Que gostosa a tua experiência! ❤ Brigada pelos comentários, de verdade. ❤

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  3. Que massa esse post! Esse primeiro item é uma iniciativa incrível! Quantas vezes a gente não engaveta um projeto por não estar perfeito e perde oportunidades, né? Nesse caso dá pra usar perfeccionismo como um defeito, hahaha.
    Eu fiz espanhol no cursinho e esqueci tudo, quando cheguei no Chile nem me atrevi a falar e fiquei feliz só em entender. Com o passar dos dias fui arriscando um portunhol e perdendo o medo, o que me deu muita vontade de estudar de novo. Quero fazer pelo menos as lições do duolingo pra conseguir o básico de comunicação. Você arrasou! ❤

    Curtido por 2 pessoas

    1. Eu preciso continuar os estudos de espanhol (nunca acabam, ein?), mas já faço isso de um jeito legal: lendo livrinhos 💕 sendo que estou ferrada no inglês. acredita que quando começo a conversar em inglês minha cabeça dá um nó e eu penso as palavras que quero dizer em espanhol? 😓

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    2. mas ó, brigada por reconhecer! hahaha 😳♥️

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  4. Letícia Luz disse:

    que legal! tipo, muito legal! Tenho muita vontade de fazer trabalho voluntário, mas falta aquele empurrãozinho, sabe.

    Curtido por 1 pessoa

    1. poxa, sei. tem diversas maneiras de ajudar, né? às vezes rola fazer uma viagem incrível e atrelar a um trabalho voluntário. outras vezes dá pra mudar a atitude diariamente e ajudar todo mundo. também rola ajudar de longe, ajudando a imagem de marca das ONGs. um outro empurrãozinho: é bem visto no currículo pelas empresas!

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