Resenha sobre Love, nova série do Netflix

Hey, como vai você? Espero que muito feliz! ❤

O post de hoje é uma crítica sobre o novo seriado que está passando na Netflix e que teve sua estreia ontem, em 19 de fevereiro. Criada por Judd Apatow, diretor responsável por outros destaques como “O Virgem de 40 anos” e “Girls”, Love promete uma comédia romântica com dez episódios e uma segunda temporada já renovada pelo serviço de streaming.

Acho que a gente consome tanta porcaria amorosa dos filmes sobretudo estadunidenses que depois, para afastar as ilusões, fica muito difícil. Mas somos seres sociáveis então sempre estamos buscando relacionamentos e alguma história bonita para contar para os nossos netos ou leitores, não é? Acho que esse seriado deve ter partido dessa premissa. Por que o que é mais antigo do que falar do amor e de como os relacionamentos são complicados?

Achei que falar sobre amor (sob perspectiva normatizada) já era batido, mas existem outras repetições de estereótipos nesse show. Por exemplo: temos um cara, chamado Gus, que assume o que identificamos rapidamente como nerd. Seus óculos de aros grossos, seu corpo bem magro e suas referências cinematográficas nos diálogos criam um personagem sem surpresas. Eu poderia ficar estressada porque eles não só escolheram um rapaz nada atraente como também desenvolveram um personagem bastante carente que geralmente enche o saco e nem transborda tanta inteligência. Nem rolou aquela tentativa de trabalhar com um cara considerado feio, mas que ao menos é divertido e sofisticado.

Para não ser totalmente perfeita para os padrões, a protagonista feminina traz um vício por drogas e álcool, mas nada com drama, tudo daquele jeitinho leve. Nem soa tanto como um real impasse na vida dela. Mickey é gatíssima com seu corpo incrível e tem as repetições de quem sempre predomina a televisão: branca, loura, sorriso apaixonante, olhos azuis. Além do carater bad ass e da frequência irritante dos cigarros, o problema que tem com seus próprios monstros ora a transforma numa bitch e isso arruína a vida das pessoas ao seu redor, ora a vitimiza, já que ela não quer mais se aproximar dos outros para a própria segurança deles.

Os diálogos são daquele jeitinho bem conhecido por nós culturalmente ensinados a gostar das coisas dos Estados Unidos. Então em pelo menos 10% dos episódios você pode perder a piada ou compreender as referências apenas por causa do contexto. O humor no final das contas não inova em nenhum sentido e nem ao menos te faz dar gargalhadas.

Outra coisa que não simpatizei foi a característica chata ou soberba de muitos personagens em Los Angeles, onde se passa a história. Isso porque Gus trabalha em um set de filmagem e é professor de atores e atrizes que precisam ter aulas particulares já que não têm tempo de frequentarem uma escola normal. Esse ambiente acaba sendo bastante tóxico porque ninguém tem paciência para nada. A chefe de Gus é intolerante (mas ao menos inovaram por ser mulher e negra), as crianças são complicadas de lidar por serem mimadas e estarem sob pressão diariamente e o pessoal do set nem ao menos tem a sensibilidade de olhar nos olhos do neurótico Gus. Obviamente ele tem pelo menos um amigo no trabalho e esse é um rapaz negro repleto de gírias que fica responsável pela comida do lugar. Quase nada novo, ein?

O desenrolar dos últimos episódios me fez gostar ainda menos de Gus e a personagem de Mickey acabou tendo menos a minha admiração. Houve vantagens como um rápido diálogo no qual Mickey destacou a falta de artistas mulheres fazendo magia (só vemos mágicos, já percebeu?), isso pra não escrever só críticas desfavoráveis. Os personagens possuem casas e apartamentos incríveis e enormes, todos com decorações lindas, tudo limpinho e os relacionamentos acabam sendo realmente o que move o enredo. Lembro que gostava da sensação de Girls porque apesar de todo o turbilhão de sentimentos elas também precisavam se preocupar com as contas no fim do mês pra pagar.

Nada supracitado explica o motivo de eu ter assistido no dia da estreia, em 19 de fevereiro, mais de 50% do show. Enquanto eu estava escrevendo esse texto, faltavam apenas quatro episódios para finalizar “Love”. Na tarde de hoje, finalizei o restante.

Tá aí o motivo de eu ter consumido a série em tão pouco tempo: amor. Acho que apenas o tema (e o trailer que achei bacana na época) me fizeram assistir a algo que no fim das contas só me ajudou a desejar o cabelo lindo de Mickey e suas roupas sempre estilosas. Ah, a trilha sonora é muito gostosinha e geralmente nos embala com músicas obviamente sobre esse sentimento aconchegante.

Achei que vocês deveriam saber essa impressão que tive regada a nenhum forte spoiler e críticas majoritariamente negativas.

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As fotos são do IMDB

E vocês? Já ouviram falar dessa série? Alguém teve mais pontos positivos para compartilhar?

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17 comentários Adicione o seu

  1. Eu até fiquei um pouco interessada em assistir a série, mas essa coisa que tem de ser sempre mais do mesmo irrita a gente. Também achei muito interessante a análise que você fez dos personagens: esse estereótipo de nerd, por exemplo, mais parece uma escrita preguiçosa do que qualquer outra coisa. E eu também observo onde estão os personagens negros e as mulheres, que tipo de papéis elas desempenham para a história… enfim, acho importante.
    Mas a Netflix tem coisas melhores para a gente assistir, né?
    Beijos
    Mari
    http://www.pequenosretalhos.com

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    1. Que lindo teu comentário! Um amigo me falou que achou minha crítica muito pesada, mas só foi meu ponto de vista, né? Vale a pena assistir ao seriado e ver se gosta. Eu achei mais do mesmo… Brigada pelo teu comentário tão rico! ❤️❤️❤️

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  2. Eu ia assistir, mas acho que vou deixar mais pra frente hahaha. Existem mais duas comédias da netflix que quero ver, uma é Master of None e a outra Unbreakable Kimmy Schmitd, essas duas estão na lista e até agora sem nenhuma crítica negativa (pelo menos que eu tenha lido por aí). Já viu alguma delas? Se não vamos combinar: quem vê primeiro diz para a outra se curtiu hahaha

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  3. HAHA, como eu disse, é só a minha opinião, né? De repente tu gostas… MAS VEJA AGORA Unbreakable Kimmy Schmitd. SÉRIO. É MUITO ENGRAÇADO! Eu adoro, hahaha. Tou morrendo pela segunda temporada! E ah, sobre a primeira: embora o final tenha perdido um pouco da magia do início ele continua como uma série incrível de humor. Acho muito fofinha! Todo mundo deveria assistir! Comecei Master Of None. Achei divertida mas deu preguiça de continuar…

    Beijo ❤ ❤ ❤ Que feliz teu comentário por aqui! Brigada!

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    1. AI MEU DEUS!!! Ok, então segue a lista 1 UKS 2 MfN 3 Love. Sim, fiquei com preguiça de escrever. E menina, minhas aulas voltaram e tô na vida louca, mas teu blog é especial, gosto de vir aqui e sempre darei um jeitinho de aparecer. Beijosss ❤

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      1. Que fofa! Fizesse meu dia, poxa! ❤ ❤ ❤ Minha vida real também está uma loucura e estou madrugando fazendo os textos do blog porque sou doida, hahaha. Brigada por vir aqui! ❤

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  4. Carolina disse:

    Lembro que vi o trailer e achei legalzinho, mas não me convenceu ao ponto de querer assistir, imaginei que fosse um lance meio “opa-já-vi-isso-antes”, sabe? E é pelo jeito né?!

    Tô acompanhando um dorama bonitinho, chamado Twenty Again. É sobre uma mulher de 38 anos que deixou de estudar para cuidar do filho e agora, com o ele já rapaz e indo para faculdade, o marido tá querendo que ela assine logo o divórcio. Só que, ela também entrou para faculdade, numa tentativa de se tornar mais inteligente para convencer o marido de não se separar, mas lá ela descobre todo um empoderamento aos pouquinhos – além de um amigo antigo que é professor no curso de teatro. Também tô acompanhando The Walking Dead e Younger – que é uma delicinha. Ouvi falarem bastante sobre You’re The Worst, tem uma resenha aqui que me fez querer assisti-la ó: http://revistapolen.com/2016/02/18/romance-moderno-e-a-televisao-americana/ e parece não ser tão clichê 😀

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    1. Eu te amo. Virtualmente, eu sei. Mas sério, é só amor que sinto quando você me visita. Que feliz você aqui! Que feliz, que feliz. Muito obrigada pelas dicas, irei baixar tudinho, HAHA. Me interessei por esse drama e gostei dos títulos de Younger e You’re The Worst.
      The Walking Dead desisti faz um tempo e nem sei se voltarei a ver algum dia… HAHA. Espero que você esteja bem, Carolina <3. Obrigada por vir aqui. (hug)

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  5. Milena Maciel disse:

    Vim aqui achando que sairia com uma nova série pra assistir, mas não foi dessa vez hahah Lendo sua resenha percebi que quero passar longe de Love. Ultimamente não estou tendo mais paciência pra filmes com a mesma história de amor e que só mudam de nome, então imagina embarcar numa série? Não vai rolar (mesmo sendo uma produção Netflix, isso me deixou tentada a ver)
    Bjs

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    1. Estou me sentindo culpada com essa postagem hahahaha. Sei lá, foi minha opinião né… Talvez role identificação de todo o resto do mundo e eu seja a alienígena hahaha, quem sabe? Brigada por comentar aqui ♥️✨❤️

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  6. Louise disse:

    Tudo que vc falou foi o que eu senti. Quando aquele amigo negro dele apareceu a primeira vez eu pensei “ai meu deus, mais uma série de brancos com o melhor amigo negro”. Tudo nessa série me irritou. Todos as conversas entre os personagens são constrangedoras, parece que todo mundo saiu do mato e nunca socializou na vida. Que agonia!!! Comecei adorando a Mickey e acabei odiando. Complicada, mal educada e chata. No fim, acabei gostando mais da amiga Australiana dela. O único episódio que gostei (mas não amei) foi o com o Andy Dick, onde ele e a Mickey tomam ecstasy ou algo assim…Só nesse que dei umas risadas. E a trilha sonora também é bem legalzinha mesmo. Só isso. Hehehe

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    1. Valeu pelo comentário, Louise. Fiquei doente com o final da Mickey: ela acabou parando a vida inteira para mais um cara. Antes ela tinha relações bizarras e agora, com o Gus, só porque ele supostamente é um cara “bacana”, um sweet guy, ela tem que se passar por isso. Enfim, não deu.

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  7. Assisti tudo em um único dia, um fato inédito pra mim (talvez seja fácil ver muito de uma vez e acabar gostando já que são só 10 episódios curtos). Eu gostei do Gus! Apesar de ‘feio’, nerd e chato com a ex ele tem seu lado legal: toca baixo <3, se enturma nas situações que parecem na série (não é aquela pessoa insuportável o tempo todo) e tem um monte de amigos que realmente gostam dele (o q pra mim mostra que ele não é de todo mal, muito pelo contrário: acho que ele é bem mais do que aparenta ser). 🙂 A Mickey embora eu ache que ela é muito bonita, não acho que ela é uma gostosona… acho q ela não tem o corpo perfeito do ponto de vista masculino. E ela sim é bem ferrada emocionalmente com seus vícios e tudo mais (apesar de ser divertida e cool). A série me fez lembrar muito dos filmes do Wood Allen e suas reviravoltas e tb de personagens de quadrinhos undergrouds (= geral meio fodido – apesar das casas lindas. Kkk) q são coisas que eu gosto. Em todo caso, eu sou relativamente fácil de ser fisgada por comédias românticas… ainda mais se elas não forem doces demais… então entendo seus pontos…. mas eu realmente gostei muito! ❤

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    1. Antonio disse:

      So uma coisa, pra mim, o corpo dela é extremamente perfeito!

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  8. Guilherme Santana disse:

    É uma análise da série um uma etiqueta de boas maneiras pedagógicas? O que se deseja com a série? Educar, prescrever, entreter? Com todo o perdão, achei a análise feita muito rasteira. A impressão que eu tive foi a de que houve a transposição de referências prévias para apenas localizar supostos estereotipos sem localizar quaisquer deslocamentos. Não vejo, por exemplo o Gus, como um Nerd, com todo o perdão – nerd são aqueles inverossíveis do Big Bang Theory; e de mais a mais, ainda que seja professor, o Gus fala muita besteira; muitas vezes ele te mais pose do que a forma do nerd. Vejo ali pessoas que estão tentando procurar algo para o qual a gente dá o nome amor, mas que na cabeça de cada um tem um significado diferente. São pessoas em conflito com a idade, pessoas inclusive em processo de ‘adultescência’ o que é um processo novo, do ponto de vista social. Simplesmente apontar para estereotipo e desvinculá-los do funcionamento da narrativa, dos procedimentos da conquista, das queixas, do que significa crescer, dos sonhos, ambições da geração em busca de amor é reduzir o que a série propõe. Enfim. São opiniões, evidentemente, mas eu particularmente estou um pouco cansado com essa tendência a reduzir os produtos culturais a uma estratégia de pedagogização. A tudo ter que olhar sob esse prisma de um politicamente correto e destruir o potencial da narrativa. Enfim. Se não toda crítica se transforma na série que deveria ser em termos ‘politicamente corretos’. E assim, como uma amiga citou, a gente não vê que esse ‘nerd’, não é ‘o nerd’, mas muito mais que isso, que tem amigos, que tem hobbies, que é sociável, capaz de se enturmar, que escreve roteiros sobre filmes de suspense (e não de ficção científica), que é capaz de atrair mulheres não nerds. Ou seja: que o estereótipo está sendo posto para problematizar o próprio estereótipo. Mas quando se fica na leitura rasteira, fica-se apenas nesse nível superficial.

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    1. Lendo esse comentário gigantesco (aliás, muito obrigada por trazer sua opinião tão cheia de detalhes), só posso reiterar o que você já disse: são opiniões.

      Mas o que ocorre, Guilherme, é que de repente seja até interessante existir, dentro do entretenimento, algo que se salve, algo que se aprenda. É muito cansativo ver que o objetivo continue ser a manutenção de estereótipos antigos e supostamente lucrativos.

      Acredito que mudar o status quo sempre vai ser uma dor de cabeça pra grande parte das pessoas que gostam de continuar nos seus mundos aparentemente satisfatórios, já que são imersos em privilégios que eles nem se dão conta (ou fingem não perceber justamente pra manter aquele status quo tão complicado de se mexer).

      Como brinquei no meu facebook, a série não deu match comigo, simples. Sim, tens razão, MUITO PROVAVELMENTE pelo meu “prisma problematizador”, haha, identifiquei ali só repetições de padrões que estou cansada de assistir. É que nem pornô pra garotas: é super difícil achar um legal, já que a misoginia pesa nas produções. Já que rola mais o sentimento de ofensa do que de excitação. Eu realmente estava ansiosa pela série, achei que traria uma revolução desse tema tão debatido que é o “amor”, mas pra mim, foi mais do mesmo.

      Ah, suponho que você considere seu comentário muito mais denso que o meu post, considerado superficial. Mas ó, soltei o que achei de um conteúdo novo no Netflix. Claro que minha opinião foi fortemente influenciada pelo pouco tempo de amadurecimento dos pensamentos, já que devorei a série em menos de um dia (something like that) e já vim aqui mais detonar que elogiar. Mas foi o bastante pra eu dividir publicamente.

      Uns dias depois uma autora (bem mais pop, haha) acabou percebendo algumas coisas que eu também tinha visto na série. Se te interessar, dá uma olhada: https://www.facebook.com/mulherdelugar/posts/1063336727069612

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    2. Ps: a análise da autora é BEM MAIS ÁCIDA que a minha, haha.

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